Digno de nota foi a afluência por parte dos associados e que também, no período reservado à sua intervenção, expressaram o seu desejo de que o IDP venha a desempenhar com sucesso um lugar necessário na sociedade portuguesa: uma acção independente que procure soluções para problemas prementes ligados, entre outros, ao ordenamento do território, à indepedência de Portugal no quadro dos nossos compromissos internacionais, das áreas metropolitanas e à ligação com os países lusófonos.
terça-feira, outubro 30, 2007
Instituto da Democracia Portuguesa: Assembleia Geral Constituinte
Digno de nota foi a afluência por parte dos associados e que também, no período reservado à sua intervenção, expressaram o seu desejo de que o IDP venha a desempenhar com sucesso um lugar necessário na sociedade portuguesa: uma acção independente que procure soluções para problemas prementes ligados, entre outros, ao ordenamento do território, à indepedência de Portugal no quadro dos nossos compromissos internacionais, das áreas metropolitanas e à ligação com os países lusófonos.
segunda-feira, outubro 08, 2007
sábado, setembro 29, 2007
Estado. País. Condomínio.
Não consigo compreender aqueles que constantemente confundem o Estado com o País. Alternam os dois termos, sem critério algum, como se fossem sinónimos. Esta falta de claridade de visão resulta no equivalente a confundir um prédio com a empresa do condomínio, a gestão do espaço comum com o todo de que fazemos parte integrante. Não termos este posicionamento, resulta em que não podemos ser críticos do Estado sem ser, ao mesmo tempo, críticos do País. Tal é uma negação de uma liberdade básica em democracia e cuja aplicação só tem como consequência uma perda de auto-estima, dada a auto-crítica implícita. É já tempo de olharmos para o primeiro-ministro, não como "dono da casa" mas como "governanta".
quarta-feira, setembro 26, 2007
The Economist: Google - A superpotência da Internet enfrenta desafios
Num artigo publicado na sua edição de 30 de Agosto de 2007, a revista The Economist faz uma análise bastante lúcida sobre a Google, enquanto empresa, e sobre os seus cada vez mais necessários serviços e produtos.
Trata-se de uma empresa que viu as suas acções altamente valorizadas em bolsa, tento tido capacidade de comprar cada vez mais empresas e, portanto, conhecimento e soluções sem ter que as desenvolver de raiz. Isto permitiu que o seu leque de serviços, grátis aliás, se tornassem cada vez mais utilizados. Os pontos positivos destas funcionalidades são conhecidos de todos e cada vez mais explorados por empresas, particulares, universidades e centros de conhecimento.
Porém, a revista The Economist alerta para o facto de que esta empresa se tem tornado, literalmente, num banco. Não num banco no sentido financeiro (embora movimente milhões), mas sim num banco de informação, de índole pessoal, comercial, etc...
O slogan inicial da empresa era «don't be evil». No entanto e à medida que a empresa fica exposta a riscos e possíveis crises no mercado de capitais, o autor do artigo preocupa-se com a sua fidelidade a este slogan inicial, denotando o risco que poderia advir para o mundo inteiro de uma possível mudança de tom na actuação da Google, uma verdadeira superpotência a quem praticamente todos estamos ligados.
Leia o artigo aqui: http://www.economist.com/opinion/displayStory.cfm?Story_ID=9725272
quarta-feira, setembro 19, 2007
O Panteão Nacional e o Humanismo, por Frederico Brotas de Carvalho
Aquilino é transladado hoje para o Panteão Nacional em nome "da avaliação da sua obra literária". Não foi escrutinado por um outro critério: O valor da defesa do humanismo!
A banda da GNR interpretará , hoje, ao longo da cerimónia o Hino Nacional e ainda uma marchade Luiz de Freitas Branco. Na ocasião(1908), este artista e humanista português ficara em estado de "choque" com o regicídio, até por se convenceu que seu pai também teria sido morto.
De facto a família real não foi apenas seriamente afectada com a morte do pai e do filho mais velho.
Foi também condenada à morte por uma irmandade que integrava Aquilino. Buiça e Costa mortos, não foram acompanhados, na mesma irmandade, por uma confissão do escritor. Pelo contrario, a sua vida ,nas décadas que se seguiram, tomaria uma via de muito maiores comodidades e aburguesamentos.
41 anos antes, em 10 de Junho de 1867, Vitor Hugo escrevia a propósito da abolição da pena de morte, a Eduardo Coelho, director do diário de Noticias: " ...Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfruta de antemão essa imensa gloria. A Europa imitará Portugal. Morte à Morte! Guerra à Guerra! A liberdade é uma cidade imensa da qual somos todos cidadãos. aperto-vos a mão como a meu compatriota na humanidade."
O panteão nacional está reservado a politicos artista e pensadores, tal como Hugo em Paris, que comunguem dos valores do humanismo em toda a sua vida.
Resta esclarecer se durante a primeira parte da vida em que se declarava germanófilo, presumo proprussiano, Aquilino também pugnava pelos valores da democracia humanista.
De facto é desajustado e precipitado eleger Aquilino para a transladação apenas sob o critério do valor da "Obra Literária".
Se vivemos verdadeiramente numa sociedade democrática e humanista, nunca é tarde para rever estas atitudes e faze-las reverter, com as novas informações que, agora, sob investigação mais aturada, venham à vir superficie.
domingo, setembro 16, 2007
PÚBLICO: Alerta para crise no Darfur reúne cerca de cem pessoas em Lisboa

Cerca de 100 pessoas participaram hoje, Dia Mundial por Darfur, numa concentração no Largo de Camões, em Lisboa, para alertar a comunidade internacional para a crise humanitária que afecta aquela região do oeste do Sudão.
Manifestações semelhantes realizaram-se em mais de 30 países para exigir uma acção urgente que ponha fim à violência em Darfur, onde quatro anos de guerra civil provocaram mais de 200 mil mortos e 2,4 milhões de deslocados e refugiados, segundo números das Nações Unidas.
Em Lisboa, a concentração foi organizada pela Plataforma "Campanha por Darfur", que reúne sete organizações não-governamentais (ONG), e que está também a promover uma petição para ser entregue à presidência portuguesa da União Europeia para que este "drama humanitário" seja debatido na Cimeira UE-África, prevista para Lisboa a 8 e 9 de Dezembro.
"Darfur pode parecer distante para os portugueses, mas neste momento Portugal tem uma maior responsabilidade para actuar, já que assume a presidência da União Europeia", disse à Lusa a vice-presidente da Amnistia Internacional (AI), Zé Justino, adiantando que "é urgente preparar a força de manutenção de paz da ONU", decidida em Agosto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A vice-presidente da AI sublinhou que é igualmente importante que os líderes internacionais pressionem o governo sudanês para que "não aproveite este período de preparação das forças de manutenção de paz para continuar ou aumentar a violação dos direitos humanos".
A concentração de hoje pretendeu ainda, segundo Zé Justino, informar a sociedade civil sobre o "drama" de Darfur, uma vez que "muita gente desconhece a crise" que se vive nesta região. A mesma responsável manifestou-se satisfeita com o número de portugueses na iniciativa, considerando que a organização "não estava à espera de um concentração imensa".
O padre Leonel Claro, dos Missionários Combonianos, disse à Lusa que as ONG "apenas têm força para alertar para o problema", não tendo capacidade para resolver a situação. Por isso, "chamamos a atenção das autoridades internacionais para os problemas da segurança, para a ajuda humanitária urgente e para a concretização de acordos de paz", disse o padre.
Também presente na concentração, o eurodeputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro, que em Junho esteve no Sudão no âmbito de uma missão da União Europeia, sublinhou que o Darfur "necessita de uma acção urgente" por parte da comunidade internacional, nomeadamente uma "mobilização mais acelerada" no que toca ao envio da força de paz.
No entanto, o deputado europeu considerou que a comunidade internacional está a fazer muito, destacando o Programa Alimentar Mundial, agência das Nações Unidas da qual depende a segurança alimentar de cerca de três milhões de pessoas.
No Largo de Camões foi ainda inaugurada uma exposição com fotografias sobre Darfur e feita uma síntese da situação humanitária.
Os cerca de 100 portugueses que se concentraram em Lisboa fizeram ainda um “minuto de barulho” pelos homens, mulheres e crianças daquela região do Sudão, além de terem colocado nos olhos uma venda preta, durante 30 segundos, para que não permaneçam indiferentes à crise.
sábado, setembro 15, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
«This is not cojones, this is cowardice.»
Mais uma vez o governo demonstra subservientemente, ao não receber o Dalai Lama, que é uma colónia de interesses internacionais.
Onde está a postura direita?, a sua dignidade?, a capacidade de decisão interna sem cedência a interesses internacionais abstractos?
Portugal está nas mãos de pessoas que acham que é melhor não «incomodar» a China do que ter a liberdade (sim, porque é disso que se trata) de receber quem achar bem.
Um governo manietado, um governo que não é livre, não é um governo saudável para este país. Como pode isto continuar assim?
Entre ministros iberistas e outros chinesistas, isto vai de mal a pior.
Não aprecio muito a figura de John Howard, primeiro-ministro da Austrália, mas teve a capacidade de dizer aos chineses que se mantivessem afastados de assuntos internos australianos (aquando da recepção por parte do governo do Dalai Lama), «arriscando» os milhões de dólares do volume de negócio Austrália-China.
Quanto ao caso presente em Portugal, nas sábias palavras de Madeleine Albright, embora sobre outro assunto (perdoem o estrangeirismo), «This is not cojones, this is cowardice.».
sexta-feira, setembro 07, 2007
Manuais Escolares
O logro dos manuais escolares em Portugal é incrível. Ricos e pobres são forçado a gastar rios de dinheiro desnecessariamente, sob pretextos pouco plausíveis. O que haveria de errado, para além do corte nos lucros das editoras, em haver um sistema de "caução", onde os estudantes pagavam o custo dos livros no início do ano, mas sendo este montante devolvido aos mesmos no final do ano lectivo se os livros voltassem em boas condições? No ano seguinte, os mesmos livros poderiam ser utilizados por outros alunos. A História de Portugal, por exemplo, é algo que não se pode mudar. Bons manuais decerto não necessitarão de actualizações anuais.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Palavras Sábias
"...nunca mais quero saber do Estado português - o que me dá muito maior liberdade para saber de Portugal." - Agostinho da Silva
domingo, setembro 02, 2007
Foi criado o Instituto da Democracia Portuguesa
Na foto (desde a direita): Dom Duarte de Bragança, Mendo de Castro Henriques e Miguel Chaves no acto da Escritura do IDP.(Excertos dos Estatutos)
I
Instituição
1º A Associação denominada Instituto da Democracia Portuguesa é instituída nos termos da Lei e dos presentes Estatutos e doravante é designada por Associação.
II
Princípios Fundamentais
1º Para a Associação, Portugal é e deverá ser sempre um Estado independente.
2º A Associação defende a necessidade de Portugal evoluir politicamente para uma sociedade mais democrática no âmbito do princípio de soberania popular e no pleno respeito pelo Estado de Direito, nomeadamente através da liberdade de definição
constitucional da forma de governo.
3º O disposto no parágrafo 1º não prejudica a integração europeia de Portugal, salvaguardada a personalidade jurídica do Estado português como sujeito de direito internacional, com capacidade jurídica internacional igual à dos outros Estados que integram a União Europeia, sem prejuízo de especificidades institucionais
comunitárias que não inibem essa personalidade e essa capacidade.
III
Objecto
O objecto da Associação é a realização de estudos, colóquios, seminários, visitas e viagens de estudo
IV
Finalidade
1º A finalidade da Associação é o aprofundamento da Democracia em Portugal como Estado independente no âmbito da União Europeia.
2º A realização desta finalidade decorre de iniciativas culturais e de realização de estudos e pareceres e respectiva divulgação em todas as vertentes publicamente relevantes.
3º A divulgação referida no parágrafo anterior implica a tomada de posição sobre as causas, eventos, candidaturas, projectos políticos e quaisquer outros assuntos considerados relevantes para o futuro de Portugal, nos termos dos presentes estatutos.
4º A Associação mais incorpora na sua finalidade o estudo e o poder de deliberação sobre questões globais da actualidade.
5º A Associação trabalhará com todas as entidade que se revêem nos príncipios fundamentais da cláusula II, colaborando em iniciativas propostas por essas entidades, e sugerindo outras iniciativas.
****
Na sequência do acto de constituição da Associação denominada Instituto da Democracia Portuguesa, ao abrigo dos artigos nº167 e seguintes do Código Civil, reuniram-se pela primeira vez e a título informal na sua sede em Lisboa, aos nove dias do mês de Agosto e na presença do Presidente Honorário, o Senhor Duque de Bragança, todos os elementos que presenciaram o referido acto de constituição e que pretendem assim manifestar a sua vontade inequívoca de pertencer ao Instituto da Democracia Portuguesa na qualidade de associados.
Dom Duarte de Bragança, Presidente Honorário
Gonçalo Ribeiro Telles
Mendo Castro Henriques
António Feijó
Miguel Mendonça Chaves
Frederico Brotas de Carvalho
Ricardo Abranches
Rodolfo Bacelar Begonha
Manuel Amaral
Leonardo de Melo Gonçalves
Inês de Mena de Mendonça
Joao Mattos e Silva
Pedro Castro Henriques
Margarida Oliveira
David Nuno Mendes Garcia
António Rosas Leitão
Luis Miguel Loia Reis
Luis David e Silva
Otto Czernin
Manuel Ferreira dos Santos
Bento Moraes Sarmento;
André Teotónio Pereira
sábado, setembro 01, 2007
Princípio e Fim do Mundo do Meio
Mundo do Meio. Podia-se resumir o mundo no seu estado actual com esta expressão apenas.
Já se escreveram inúmeras linhas sobre o armagedão, o apocalipse, enfim, todas as formas possíveis para o «fim do mundo». Também se explorou por infindáveis avenidas os princípios remotos do Universo, tentando sondar esse início que, apesar de tudo permanece misterioso.
Esta é a perspectiva do ponto de vista cronológico, ou seja, aplicando as palavras «princípio» e «fim» como definições temporais. No entanto estes são também vocábulos que se prestam a definir conceitos morais e éticos - princípios - e aplicações concretas e práticas - os seus fins. Ora, acontece que por interessante analogia, nos encontramos hoje no Mundo do Meio.
Passo a explicar.
Um exemplo: expressão hoje utilizada ou implícita na geopolítica e na conduta política: «os fins justificam os meios». Somos quase que governados pelos «meios» de comunicação social, ou media na sua designação internacional, que aliás denota e transmite exactamente o mesmo sentido. Também hoje já não conta a viagem ou a experiência, mas sim o «meio» de transporte que se utiliza. E diga-se, desde a publicidade às conversas de café, todos andam obcecados com o «meio» de reprodução, mais do que com uma salutar construção de uma família e sociedade. Também é tomado como sagrado aquilo que vem do «meio» científico, dando lugar a que se explore por explorar sem para pensar e reflectir sobre se se deve ou não seguir certos caminhos. Sendo também verdade que o «meio» académico já viu melhores dias - tanto relativamente a si próprio como à visão que outros têm dele.
Muitos outros «meios» há que pautam a nossa existência, mas estes «meios» bastam para demonstrar que a sociedade premeia o «médio», o «intermédio», o «efémero», o «denominador comum», a «estatística» e finalmente a «média». É um mundo, agora sim, sem princípios nem fins, pois dispõe apenas de «meios».
O Mundo do Meio é uma fabricação que em tudo corresponde à qualidade mediana dos «meios» que o compõem. Apenas desejo que mais e mais pessoas olhem para os princípios, aplicando-os aos seus próprios fins. Talvez seja este princípio, o fim, do Mundo do Meio.
Já se escreveram inúmeras linhas sobre o armagedão, o apocalipse, enfim, todas as formas possíveis para o «fim do mundo». Também se explorou por infindáveis avenidas os princípios remotos do Universo, tentando sondar esse início que, apesar de tudo permanece misterioso.
Esta é a perspectiva do ponto de vista cronológico, ou seja, aplicando as palavras «princípio» e «fim» como definições temporais. No entanto estes são também vocábulos que se prestam a definir conceitos morais e éticos - princípios - e aplicações concretas e práticas - os seus fins. Ora, acontece que por interessante analogia, nos encontramos hoje no Mundo do Meio.
Passo a explicar.
Um exemplo: expressão hoje utilizada ou implícita na geopolítica e na conduta política: «os fins justificam os meios». Somos quase que governados pelos «meios» de comunicação social, ou media na sua designação internacional, que aliás denota e transmite exactamente o mesmo sentido. Também hoje já não conta a viagem ou a experiência, mas sim o «meio» de transporte que se utiliza. E diga-se, desde a publicidade às conversas de café, todos andam obcecados com o «meio» de reprodução, mais do que com uma salutar construção de uma família e sociedade. Também é tomado como sagrado aquilo que vem do «meio» científico, dando lugar a que se explore por explorar sem para pensar e reflectir sobre se se deve ou não seguir certos caminhos. Sendo também verdade que o «meio» académico já viu melhores dias - tanto relativamente a si próprio como à visão que outros têm dele.
Muitos outros «meios» há que pautam a nossa existência, mas estes «meios» bastam para demonstrar que a sociedade premeia o «médio», o «intermédio», o «efémero», o «denominador comum», a «estatística» e finalmente a «média». É um mundo, agora sim, sem princípios nem fins, pois dispõe apenas de «meios».
O Mundo do Meio é uma fabricação que em tudo corresponde à qualidade mediana dos «meios» que o compõem. Apenas desejo que mais e mais pessoas olhem para os princípios, aplicando-os aos seus próprios fins. Talvez seja este princípio, o fim, do Mundo do Meio.
segunda-feira, agosto 27, 2007
terça-feira, julho 17, 2007
Resposta a Saramago
Abençoada a alma que escreveu, em resposta a Saramago:
"Mais vale ser português por um minuto que castelhano toda a vida."
"Mais vale ser português por um minuto que castelhano toda a vida."
quinta-feira, julho 05, 2007
O Rei vai Nu, ou as Riscas do Berardo
De um modo inesperado e não intencional, dei por mim no CCB a ver a recém-aberta exposição da Colecção Berardo. A entrada foi livre, o "pecado" assim facilitado. Nunca teria ido se não fosse grátis, sou uma pessoa que gosta de calcular bem o risco, e as hipóteses eram de 99 para 1 de esta ser uma mostra completamente revoltante.
Porém, milagre, não o foi - revoltante, isto é. Aliás, pensei que a falta de qualidade nas peças mostradas fosse bastante maior. No entanto, houve este episódio que ilustra a total falta de critérios quando se profere a palavra «Arte».
Durante a visita, eis um painel com riscas verticais, pretas e brancas. Ia acompanhado por uma pessoa que conhece bem os meandros deste mundo da dita Arte, e esta, ao ver ao longe a peça das riscas, afirma de imediato o nome do autor - que verifiquei estava correcto. Perguntei-lhe «como é que consegue saber de quem é uma peça destas, se são apenas riscas pretas e brancas?» Disse-me esse entendedor: «É fácil. O fulano que fez esta peça foi o único que conseguiu convencer suficientes pessoas de que aquilo que fazia tinha valor. Como o critério da exposição é o valor monetário, então estas eram as únicas riscas suficientemente caras para poder estar aqui presentes.»
O problema destas exposições é este mesmo. Ou estamos confiantes daquilo que achamos sobre a peça - eram riscas - ou se deixamos uma ponta de insegurança espreitar, rapidamente poderíamos encontrar-nos pensando «seria mesmo preto, seria mesmo branco? se calhar era quase preto, ou quase branco - e que significado terá isso? a constante procura do perfeito, do exacto? colocado em linhas verticais paralelas - como quem diz "não estás só!"» +++ALTO!+++. É perigosa esta rota... simplesmente porque eram apenas riscas, muito provavelmente brancas imaculadas e pretas profundas. O dito artista não passa de um insinuador, alguém que sem saber o que quer dizer, qual charlatão, deixa no ar largos inuendos que nem ele sabe onde vão dar. Dirá ele "é isso mesmo a Arte, provocar o diálogo, a reflexão". Tretas. Tem razão sobre os benefícios de provocar o diálogo e reflexão, mas não à custa da dignidade das pessoas. Sim, dignidade, pois é indigno chamar a uma coisa destas uma exposição de Arte e pedir a todos que vão na conversa, tratando os que discordam como incultos.
Para além do mais, com a insegurança que hoje reina, é muito comum ouvir-se dizer «Ah! Eu gosto, mas não percebo nada de Arte.» Este grupinho internacional de charlatães profissionais conseguiu convencer o mundo de que a Arte se tinha de entender, quando a arte tem, acima de tudo, de ser sentida e apreciada. Poderá eventualmente ser racionalizada, mas a Arte não vive, não respira, e logo não existe se estiver reduzida a um nada caótico que precisa de tradução de um crítico qualquer.
No video abaixo, uma experiência ilustradora da confusão generalizada, uma pintura feita por crianças de um infantário é levada para a ARCO, feira de arte contemporânea em Madrid. Ninguém na feira duvida de que é uma peça valiosíssima e de enorme qualidade artística. Tudo isto passa pelo pensamento «eu não percebo nada disto, mas se está aqui, é porque é bom.» Ao que isto chegou...
Nota: Na ausência de uma imagem da dita peça das riscas pretas e brancas, pensei em ilustrar este post com outra imagem qualquer do mesmo tipo de riscas. Não o fiz. Decerto havia algo naquelas riscas do Berardo que escapou à minha percepção, e não quero assim causar nenhum constrangimento a possíveis conhecedores da obra desse excelso artista cujo nome agora não me recordo (e que peço não mo lembrem).
Porém, milagre, não o foi - revoltante, isto é. Aliás, pensei que a falta de qualidade nas peças mostradas fosse bastante maior. No entanto, houve este episódio que ilustra a total falta de critérios quando se profere a palavra «Arte».
Durante a visita, eis um painel com riscas verticais, pretas e brancas. Ia acompanhado por uma pessoa que conhece bem os meandros deste mundo da dita Arte, e esta, ao ver ao longe a peça das riscas, afirma de imediato o nome do autor - que verifiquei estava correcto. Perguntei-lhe «como é que consegue saber de quem é uma peça destas, se são apenas riscas pretas e brancas?» Disse-me esse entendedor: «É fácil. O fulano que fez esta peça foi o único que conseguiu convencer suficientes pessoas de que aquilo que fazia tinha valor. Como o critério da exposição é o valor monetário, então estas eram as únicas riscas suficientemente caras para poder estar aqui presentes.»
O problema destas exposições é este mesmo. Ou estamos confiantes daquilo que achamos sobre a peça - eram riscas - ou se deixamos uma ponta de insegurança espreitar, rapidamente poderíamos encontrar-nos pensando «seria mesmo preto, seria mesmo branco? se calhar era quase preto, ou quase branco - e que significado terá isso? a constante procura do perfeito, do exacto? colocado em linhas verticais paralelas - como quem diz "não estás só!"» +++ALTO!+++. É perigosa esta rota... simplesmente porque eram apenas riscas, muito provavelmente brancas imaculadas e pretas profundas. O dito artista não passa de um insinuador, alguém que sem saber o que quer dizer, qual charlatão, deixa no ar largos inuendos que nem ele sabe onde vão dar. Dirá ele "é isso mesmo a Arte, provocar o diálogo, a reflexão". Tretas. Tem razão sobre os benefícios de provocar o diálogo e reflexão, mas não à custa da dignidade das pessoas. Sim, dignidade, pois é indigno chamar a uma coisa destas uma exposição de Arte e pedir a todos que vão na conversa, tratando os que discordam como incultos.
Para além do mais, com a insegurança que hoje reina, é muito comum ouvir-se dizer «Ah! Eu gosto, mas não percebo nada de Arte.» Este grupinho internacional de charlatães profissionais conseguiu convencer o mundo de que a Arte se tinha de entender, quando a arte tem, acima de tudo, de ser sentida e apreciada. Poderá eventualmente ser racionalizada, mas a Arte não vive, não respira, e logo não existe se estiver reduzida a um nada caótico que precisa de tradução de um crítico qualquer.
No video abaixo, uma experiência ilustradora da confusão generalizada, uma pintura feita por crianças de um infantário é levada para a ARCO, feira de arte contemporânea em Madrid. Ninguém na feira duvida de que é uma peça valiosíssima e de enorme qualidade artística. Tudo isto passa pelo pensamento «eu não percebo nada disto, mas se está aqui, é porque é bom.» Ao que isto chegou...
Nota: Na ausência de uma imagem da dita peça das riscas pretas e brancas, pensei em ilustrar este post com outra imagem qualquer do mesmo tipo de riscas. Não o fiz. Decerto havia algo naquelas riscas do Berardo que escapou à minha percepção, e não quero assim causar nenhum constrangimento a possíveis conhecedores da obra desse excelso artista cujo nome agora não me recordo (e que peço não mo lembrem).
sábado, junho 02, 2007
Aos Hiperdemocratas: A Monarquia faz bem à Democracia!
Sobre a questão que levantam alguns "hiperdemocratas" (sempre imagino que serão aqueles que provavelmente só escolhem um lugar de estacionamento específico se for sujeito a votação e se ganhar por maioria qualificada):Dizem estes que «um chefe de estado deve ser eleito, senão é algo anti-democrático».
A resposta é simples e segue uma lógica, também rica em simplicidade:
1º O primeiro objectivo de qualquer sistema político é servir o País.
2º A Democracia, na sua concepção, serve, neste momento histórico*, os melhores interesses de Portugal, sem dúvida.
Porém, se houver um consenso nacional, tome ele a forma que tomar, que uma Monarquia hereditária é melhor para o País, não há razão para invocar que a ausência de sufrágio para o Chefe de Estado é algo anti-democrático, pois tal não é válido, visto que o que está em causa é servir ou não o interesse do País. Da mesma maneira, se o objectivo da democracia é servir o país, também esta é delimitada pela extensão até à qual deixa de o fazer.
Ou seja, neste caso específico, serve melhor o país uma monarquia, regime onde não se escolhe o Chefe de Estado do que um regime onde há uma "oferta" de 4 ou 5 candidatos para o lugar. A lógica do mercado não se aplica nesta decisão. Haver escolha, não implica haver qualidade, pois um Rei, preparado desde sempre para o papel que vai desempenhar e com o único intuito de Ser Português e de servir o país, é infinitamente mais qualificado do que qualquer outra pessoa. Como Portugueses devemos exigir qualidade para a nossa Chefia de Estado e levar este nosso posicionamento até ao fim.
Se um Rei serve melhor os nossos interesses, então façamos essa opção, apoiando a transição para a Monarquia.
Aliás, lembro aos "hiperdemocratas", que tradicionalmente cabe às Cortes/Parlamento a aprovação do Rei e também a elas cabe encontrar uma alternativa, caso o Rei não esteja à altura da função que desempenha.
Está mais que demonstrado que a Democracia e a Monarquia podem, não só coexistir, mas também interaperfeiçoar-se. Às vezes é até ridículo estar a ter esta conversa quando 6 dos 10 países com maior qualidade de vida em todo o Mundo são Monarquias.+
Aliás, é no mínimo descuidado sugerir que países com a tradição democrática da Espanha, Noruega, Suécia ou Reino Unido, tolerariam uma solução dita "anti-democrática" para a sua Chefia de Estado se tal não servisse os seus melhores interesses.
* - Digo «neste momento histórico», visto que no passado, outros sistemas houve que, naquela época e mentalidade serviam melhor os interesses de Portugal. Refiro-me particularmente ao regime que vigorava antes do Absolutismo Régio.
+ - De acordo com o Quality-of-Life Index (2005), publicado pela revista britânica The Economist, que aliás, segue uma orientação editorial republicana.
quinta-feira, maio 24, 2007
A Recriação da Natureza: Entrevista com Ribeiro Telles
Foto: Portal do Jardim
À margem do Congresso "Jardins do Mundo" que se realizou no Funchal nos passados dias 9-12 de Maio de 2007, o Portal do Jardim foi conversar com o Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Uma personalidade incontornável do mundo do Jardim, dedicou toda uma vida à defesa dos valores da Terra e do Ambiente. Recebeu, no âmbito também deste congresso, uma merecida homenagem que partilhou com o filósofo Eduardo Lourenço (leia mais aqui).
Portal do Jardim (PdJ) - Qual é a sua primeira memória de um jardim?
Arq. Ribeiro Telles (RT)- A Av. da Liberdade, onde nasci.
PdJ - Enquanto jardim?
RT - Enquanto avenida... A avenida é um jardim.
PdJ - E que importância tinha para si?
RT - Era um sítio onde se passeava, onde se brincava. De certo modo um sítio aprazível com árvores.
PdJ - Sempre gostou do jardim num contexto urbano, correcto?
RT - O jardim é qualquer coisa que é independente do contexto urbano e é independente de outro contexto qualquer.
PdJ - O Arquitecto costuma dizer que «tudo é um jardim»...
RT - Tudo caminha para tal. A humanização da terra, do território, caminha evidentemente para uma paisagem bela, para uma paisagem equilibrada, portanto é um macrojardim. O que não quer dizer que um macrojardim não contenha depois microjardins, na acepção mais perfeita do termo, que é um microcosmos, uma paisagem ideal.
PdJ - Quando é que decidiu ser Arquitecto Paisagista?
RT - Encontros. Até como era uma matéria que não estava lançada no país, fui caminhando no sentido da agronomia, primeiro – e paralelamente tinha condições para arquitectura, portanto tinha dois caminhos a seguir. Segui o da agronomia, mas na agronomia encontrei os primeiros passos da arquitectura paisagista, num curso livre de arquitectura paisagista e foi assim, uma obra do acaso.
PdJ - Estabelece alguma ligação entre a sua vivência na infância da Avenidade da Liberdade e a sua escolha em enveredar pela sua área profissional?
RT - Não, não. [risos] Acho que não vale a pena tentar encontrar ligações dessa ordem.
PdJ - Não estabelece essa ligação entre a infância...
RT - Não. Eu demarquei a Avenida da Liberdade por que dela também fazem parte os quintais que existiam. Portanto, tanto bricávamos na Avenida da Liberdade como brincávamos nos quintais.
PdJ - Que resultado é que pensa que terá este desaparecimento progressivo dos quintais na vida das famílias?
RT - Há um regresso negativo. Como sabe, os quintais estão todos a ser transformados em garagens, em pavimentos impermeáveis e estão a desaparecer. Aí há um aspecto muito negativo para a cidade, para a cidade como habitat, como conforto e até como beleza. É trágico o que está a acontecer - a destruição sistemática do que era o verde integrado na própria cidade.
PdJ - Acha que a vivência dos jardins pode trazer felicidade?
RT - Tudo contribui. O que interessa é saber escolher e saber viver.
PdJ - Como é que vê a tendência dos municípios continuadamente cederem ao lobby do betão, ou da celulose?
RT - É uma falsa ideia de progresso, que de certo modo se criou da ideia de que o progresso era o volume construído. O choque da Revolução Industrial levou a que isso parecesse ser o progresso, quando isto é claro que não é progresso, é até retrocesso. Portanto estamos nessa época de transformações.
PdJ - Pensa que será um problema de falta de formação cívica por parte dos decisores? Acha que se trata de pressões externas?
RT - É as duas coisas juntas. Muitos estão convencidos que o futuro resulta de um artificialidade total da vida, de superficialidade e de uma maneira de viver que vem da facilidade dos fluxos energéticos para a vida humana, que está a acabar. Portanto temos que não andar para trás, temos é que recriar as condições da vida.
PdJ - Acha que esse é o caminho para inverter a situação...
RT - É recriar, não de ir para trás. Enfim, uma recriação é sempre uma criação que tem um sentido determinado e umas bases determinadas. Evidentemente que portanto é um reencontro com a Natureza, mas no sentido humanizado da Natureza, em que se inclui também, mas não só, os problemas da protecção do espaço, da produção do espaço. Nós vivemos de facto num sistema ecológico forte, que vive também de transformar esses espaços de protecção em espaços de recreio.
PdJ - Há hoje uma moda emergente, especialmente em França, de criar jardins verticais. Como vê esta opção arquitectónica?
RT - É mais um aspecto decorativo, que não resolve o assunto. É o mesmo que pegar numa fachada e revesti-la de azulejos, onde antes nada existia. Há um elemento fundamental a recriar nesta paisagem global do futuro, porque nós caminhamos para uma paisagem onde os dois sistemas, o natural e o artificial do abrigo, se vão conjugar e harmonizar. Nos diferentes espaços, em que muitas vezes é o contínuo o elemento construído e o residual é, digamos, o elemento verde, tem que haver uma interligação entre essas situações e as situações em que se dá o contrário, em que o elemento contínuo é o sistema natural e o elemento descontínuo é construído. É aí que está o grande jogo do planeamento moderno.
PdJ - Há hoje nitidamente um decréscimo no contacto entre jovens e a Natureza, as zonas rurais. Numa conferência recente, o Arq. Ribeiro Telles sugeriu que deveria haver subsídios para os jovens voltarem ao campo e às aldeias. Acha que é uma proposta viável?
RT - Subsídios não, mas sim capitalizar os jovens – que é diferente do subsídio.
PdJ - Um forma de conduzir os jovens...
RT - Não é para conduzir, é para fazer viver as aldeias, em que os jovens são fundamentais. A possibilidade de fazer viver as aldeias, não é com o turismo – que vem a seguir, é recuperando a agricultura de base local e de base regional. É essa de facto a que hoje está a ser muito necessária para o país e não a de competição a nível internacional. A recuperação da agricultura para espaço, para protecção. A agricultura não são fábricas, para apertar parafusos... A agricultura é um mundo que trabalha, que tem actividade no solo, solo esse que é um elemento da crosta terrestre de transição da parte geológica para a atmosfera, fundamental para toda a vida humana, e para toda a vida. Por isto é que houve a necessidade de criar reservas de protecção ao solo, que foram tão mal entendidas pelos técnicos, pelos municípios, pensando que eram obstáculos ao desenvolvimento quando eram de facto a garantia do desenvolvimento.
PdJ - É optimista quanto ao futuro, naquilo que diz respeito aos jardins e o modo como são vividos? Esses microcosmos...
RT - Nós partimos de uma natureza primordial, que é chamada de primeira natureza e o Homem transformou essa primeira natureza numa natureza mais bela, biologicamente mais activa, mais biodiversificada até, com a criação das orlas e portanto o problema é recriar esse sistema, porque senão não há vida. Portanto, quando se ouve estas campanhas constantes em nome do desenvolvimento até da liberdade das pessoas poderem fazer o que quiserem em qualquer lado... até técnicos juristas e economistas caíram nessa «arara» e arranjaram estes «trinta e um» tremendos que são os fogos florestais, a expansão urbana indiscriminada, que agora se vêem aflitos para resolver. [A solução] é a recriação, é novamente a intervenção para situações de modernidade de uma paisagem global que inclui os sistemas naturais, florestais e cultura e os sistemas de abrigo artificiais onde estão as construções.
segunda-feira, maio 21, 2007
Definição de "Political Correctness"
"Political Correctness is a doctrine fostered by a delusional, illogical liberal minority, and rapidly promoted by an unscrupulous mainstream media, which holds forth the proposition that it is entirely possible to pick up a turd by the clean end."
Tradução livre: "O Politicamente Correcto" é uma doutrina alimentada por uma minoria liberal, ilógica e desligada da realidade, rapidamente promovida por meios de comunicação social sem escrúpulos, que propõe que é completamente possível pegar num «cagalhoto» sem sujar as mãos.
Tradução livre: "O Politicamente Correcto" é uma doutrina alimentada por uma minoria liberal, ilógica e desligada da realidade, rapidamente promovida por meios de comunicação social sem escrúpulos, que propõe que é completamente possível pegar num «cagalhoto» sem sujar as mãos.
sexta-feira, maio 18, 2007
Dos Túmulos e sua Abertura
Posso estar errado, mas se bem me lembro, quem tinha a obsessão de abrir túmulos de reis seus antepassados era D. Sebastião... Não me parece boa prática, seja porque razão for. A causa da investigação científica não pode ser cega à importância, quase metafísica, que o colectivo atribui aos túmulos dos reis, ainda mais, do rei fundador.
Poder-se-á dizer que se abrem túmulos egípcios sem quaisquer menções de oposição. Correcto, mas é uma cultura morta, já sem representantes. Porém, a cultura portuguesa ainda vive. Vive de vivências, de mitos, de História e estes não podem ser mexidos e remexidos indiscriminadamente.
Obrigado, Sra. Ministra, por deixar descansar Afonso Henriques.
Poder-se-á dizer que se abrem túmulos egípcios sem quaisquer menções de oposição. Correcto, mas é uma cultura morta, já sem representantes. Porém, a cultura portuguesa ainda vive. Vive de vivências, de mitos, de História e estes não podem ser mexidos e remexidos indiscriminadamente.
Obrigado, Sra. Ministra, por deixar descansar Afonso Henriques.
quinta-feira, maio 03, 2007
Sobre o «Desenvolvimento»

Foto: Monsaraz, Alto Alentejo. Um lugar raríssimo onde ainda se respira o ar da Idade Média, é um dos poucos locais que tem vindo a escapar a um Turismo extremo. Porém, os empreendimentos ligados ao Alqueva ameaçam tornar esta vila em algo que não é: uma loja. Esperemos que os autarcas e as gentes da terra tenham o senso de manter a sua vila para que não se perca mais um monumento vivo a favor do comércio e do Turismo em massa.
O conceito de «desenvolvimento» é hoje algo de que se usa e abusa para corresponder a interesses particulares, raramente de acordo com o interesse nacional.
Aquilo a que chamam o desenvolvimento do turismo, criou em muitos casos, situações onde os próprios habitantes se sentem excluídos da sua terra natal, dando lugar a um mar incessante de turistas que alimentam as lojas de souvenirs. Isto será decerto «desenvolvimento», mas estritamente económico e para poucas empresas que dominarão o mercado nessa zona. A maioria dos habitantes sentir-se-á excluído da sua própria rua, onde os preços são inflacionados «para inglês comprar». Não há nada de errado com o Turismo em si, note-se, mas este deve ser proporcional à área em causa e sempre de acordo com o interesse da população local, que aí cresceu e viveu e cuja vivência do sítio tem de ser respeitada.
O mesmo «desenvolvimento» económico que fomenta o comércio, acarreta consigo as desigualdades sociais que dão origem às ondas de crime nos países ditos civilizados, às quais Portugal ainda vai escapando, dado o seu «atraso».
O Verdadeiro Desenvolvimento é aquele que cada país escolher fazer, para si próprio - é um opção. Trará animosidades, frustrações, etc... mas a essência de Portugal, como se vê pelo estado do País, não é compatível com o capitalismo cego que pauta os mercados ocidentais, nem é compatível com o modo de viver dos novos escravos do emprego, que alimenta as economias ditas «avançadas» e desenvolvidas; a essência de Portugal também não tolera as obrigatórias disparidades que caracterizam os países que querem fazer de si mesmos uma massa disforme de betão armado.
Poderão dizer que esta é a apologia do atraso. Não é disso que se trata - é sim fazer uma opção de vida conjunta. Se quisermos ser como os outros, perderemos o «jogo», porque não somos os outros, mas se assumirmos as nossas diferenças e seguirmos o nosso caminho, em cooperação e não em subserviência dos estilos de vida dos outros países talvez possamos seguir um caminho que não seja uma traição tão grave daquilo que Portugal e os Portugueses realmente são.
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