domingo, abril 08, 2007

terça-feira, março 27, 2007

Lançamento: Agostinho da Silva - Pensador do Mundo a Haver


3 Abril - 3ªf - 18h
Fundação Calouste Gulbenkian - Auditório III

A Editora Zéfiro e a Associação Agostinho da Silva têm a honra de convidar V. Exa. para o lançamento das Actas do Congresso Internacional do Centenário de Agostinho da Silva: Agostinho da Silva, Pensador do Mundo a Haver. A obra será apresentada pelo Professor Doutor Manuel Ferreira Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora. O evento realizar-se-á no dia 3 de Abril, às 18 horas, no Auditório III da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

«O presente volume de Actas corresponde ao momento cientificamente mais significativo das Comemorações e de toda a recepção da obra agostiniana, o Congresso Internacional que reuniu três das principais universidades portuguesas, acolheu investigadores de diferentes nacionalidades, formações e gerações e constituiu a homenagem da academia portuguesa a um dos seus mais notáveis e ostracizados filhos. Cremos que a presente obra é já um marco no necessário e desejável estudo crítico e científico do pensamento de Agostinho da Silva, que ainda permanece refém de muitos preconceitos, a favor e contra, apenas devidos, quando assim acontece, à ausência de uma leitura global, atenta e reflectida da sua obra, que atenda aos diferentes períodos da sua génese e evolução e procure os fundamentos e articulações que estruturam as suas proposições mais visíveis.»

Paulo Borges
in Prefácio

quinta-feira, março 22, 2007

Desocracia


O que uma letra apenas faz.

Hoje, em Portugal, apressamo-nos rapidamente para uma Desocracia, ou seja, o governo de um Sócrates.

Com a concentração da influência sobre as agências de informação, com a atitude autocrática, com o agora comum "quero posso e mando" do primeiro-ministro (& companhia), Portugal, enquanto nação cultural, não enriquece nem enriquecerá qualitativamente.

O paradoxo da nossa democracia (ou tentativa de) está hoje visível: o que fazer quando um partido (e no caso actual, um partido centrado numa cultura de personalidade do seu líder) tem maioria absoluta e não enfrenta nenhum tipo de oposição eficaz (nem interna, nem externa, nem do chefe de estado, nem da sociedade em geral). Por onde anda a democracia propriamente dita?

Escrevo sobre o actual governo como poderia escrever sobre qualquer um, de qualquer partido, na mesma situação. É gravíssimo que não haja nenhum representante independente e supra-partidário que coloque os governos no seu devido lugar: um grupo de pessoas que são pagas para administrar o Estado e que têm de prestar contas aos cidadãos. Este prestar de contas não pode ser feito de 4 em 4 anos por qualquer expressão de sentimento ou estado de alma, deve ser antes uma atitude permanente de respeito por parte dos governos por aqueles que os elegeram. Um governo não lidera uma Nação, é apenas o motor que põe em movimento a máquina que é o Estado. Seria bom que tanto os governantes como os governados tomassem consciência disto - para os primeiros terem mais humildade e para os segundos não estarem à espera que os primeiros sejam a resposta a todos os problemas.

Esta humildade que espero de um governo, aplicada ao chefe de estado seria, aqui sim, nefasta. Li na Visão da semana passada que uma senhora que sempre votou em Cavaco está hoje desiludida, pois a humildade que apreciava se confunde hoje, na sua opinião, com cobardia. «Estamos perdidos...», acrescenta.

Não estamos perdidos, mas também não estamos achados. O que decerto não podemos estar é reféns de uma situação onde o chefe de estado está ligado aos partidos que deveria "fiscalizar" e, resultado da sua chamada humildade, não intervém como deveria.

A Democracia assim não existe. Assim vamos andando... hoje em desocracia, amanhã quem saberá? A matriz dos princípios da organização do Estado deveria ser uma constante e não algo que dependa de personalidades mais ou menos democráticas.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Filme: O Grande Silêncio


"O Grande Silêncio é o primeiro filme sobre a vida interior da Grande Chartreuse, casa-mãe da Ordem dos Cartuxos, uma meditação silenciosa sobre a vida monástica. Dezassete anos depois de ter pedido autorização para filmar no mosteiro, é dada autorização para entrar ao realizador, que filmará a vida interior dos monges cartuxos. Sem música à excepção dos cânticos do mosteiro, sem entrevistas, nem comentários, ou artifícios. Evocam-se unicamente a passagem do tempo, das estações, os elementos repetidos incessantemente durante o dia ou as orações. Um filme sobre a presença do absoluto e a vida de homens que dedicam a sua existência a Deus. O filme ganhou os Prémios de Melhor Documentário no Festival de Sundance e nos Prémios Europeus do Cinema." (in Cinecartaz - PÚBLICO).

Os monges cartuxos, que ainda podem ser encontrados em Portugal, na Cartuxa de Évora, formam a ordem fundada por S. Bruno em 1084. São eremitas que vivem em comunidade, em silêncio e contemplação.

A Cartuxa de Évora

Aquele que persevera firme na cela e por ela é formado, tende a que todo o conjunto de sua vida se unifique e converta numa constante oração. Mas não poderá entrar neste repouso sem ter-se exercitado no esforço de duro combate, já pelas austeridades nas que se mantém por familiaridade com a cruz, já pelas visitas do Senhor mediante as quais o prova como ouro no crisol. Assim, purificado pela paciência, consolado e robustecido pela assídua meditação das Escrituras, e introduzido no profundo de seu coração pela graça do Espírito, poderá já não só servir a Deus, senão também unir-se a Ele. (Estatutos da Ordem dos Cartuxos 3, 2)

Mais info: Os Cartuxos

segunda-feira, fevereiro 12, 2007


THE ANGEL OF HISTORY de Ernst Fuchs
(Estudo para a paróquia de Sto. Egídio, Igreja Paroquial de Klagenfurt), 1992
Têmpera de ovo, técnica mista sobre tela, 190x330cm.

domingo, fevereiro 11, 2007

I have been branded as a traditionalist, as if tradition was some kind of disease that had to be sprayed at airports. Príncipe Carlos de Inglaterra.

[Chamaram-me tradicionalista, como se "tradição" fosse algum tipo de doença que precisa de descontaminação em aeroportos.]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Blogs are today's revolutionary pamphlets, websites are the new dailies and list-servers are today's broadsides

Audrey Cronin da Universidade de Oxford. (in The Economist, 16 Nov 2006)

A Monarquia imprime verticalidade à República


A Monarquia imprime verticalidade à República, ou seja, dá-lhe um sentido ascendente, culminando na figura Real - que é exemplo de isenção e de excelência.

Ora se a Monarquia é um elemento de verticalidade, então é sem dúvida algo transversal, podendo cada grupo, seja ele político, económico ou social depreender quais as vantagens para si próprio de um tal sistema existir em Portugal. Todos os grupos, excepto claro os republicanos acérrimos, que não quiserem aceitar este sistema, mais por teimosia ou comodismo do que por falta de compreensão das suas vantagens.

Quanto a mudanças de fundo no funcionamento e organização do País: eu costumava ser da opinião de que apenas propondo uma mudança drástica é que o povo reconheceria a Monarquia como alternativa merecedora. No entanto, parecece-me hoje que as mudanças que são necessárias fazer não podem ser nem instantâneas nem apressadas. Tenho a certeza porém de que tais alterações não são viáveis no regime actual e que a Monarquia se apresenta como único ambiente onde tais mudanças podem ter lugar.

Concluíndo, a República decai a olhos vistos; a Monarquia não resolve coisa alguma senão o facto de inverter a tendência - sendo assim um factor, indirecto, de regeneração de Portugal. Neste momento da vida nacional, esta inversão de tendência é, a meu ver, aquilo por que temos de lutar com todo o empenho.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Filme Recomendado: The Queen


(clique para ver apresentação)

É ainda possível ver nalguns cinemas este filme onde Helen Mirren encarna magistralmente a personagem de Isabel II. A realização é de Stephen Frears.

A acção passa-se após a morte da Princesa Diana e mostra como a Família Real Inglesa lidou, tanto com o choque de uma tragédia familiar, mas também com o aspecto mediático a ele afecto.

Infelizmente, devido ao media circus à volta da Monarquia no Reino Unido, a Rainha acabou por se ver quase refém de um primeiro-ministro recém-chegado e muito persuasivo e, indirectamente, de um spin doctor, interessado apenas nas sondagens e naquilo que é "popular" e "parece bem". Porém soube manter a dignidade e esse, na minha opinião, é o aspecto mais construtivo do filme.

As semelhanças dos actores com os seus personagens é assombrosa. Vale a pena ver!

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alter..nativa?, por MCH


A Coudelaria de Altér vai ser substituída por uma nova Fundação controlada pelo Estado e pelos Privados a que parece querer chamar Fundação de Altér e que se constitui por fusão desta e da Companhia das Lezírias.
Do destino que se dará aos cerca de 80 empregados da Coudelaria e se as instalações continuarão a A Coudelaria foi fundada em 1748, pertenceu à Casa de Bragança, e depois foi propriedade da Coroa Portuguesa. Com o derrube da Monarquia passou para a tutela do Estado e tem dado bom nome a Portugal.





Comentário:

Leonardo de Melo Gonçalves said...

A confirmar-se esta decisão, trata-se de mais um exemplo de como Portugal, que nem avião desviado, segue por uma rota que não é a sua.

O respeito pelo património histórico, por aquilo que constitui a face visível da identidade Portuguesa tem de ser mantido, custe o que custar e não podemos entrar na lógica mercantilista de julgar rentável ou não algo que tem em si valor simbólico.

Lembro que os governos Franceses e Italianos procederam recentemente à avaliação do património imobiliário do Estado e, aos monumentos de alto valor histórico foi-lhes atribuído a soma simbólica de 1 euro por cada - que nunca, jamais e em tempo algum serão vendidos por qualquer razão que seja.

Oxalá o governo de Portugal tivesse a decência de fazer o mesmo.

15 Janeiro, 2007 23:11

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Do Fundamentalismo Democrático

Nesta época de extremos e fundamentalismos, onde a letra se sobrepõe ao espírito em todos os sectores da vida (sejam eles a Religião, a Economia, a Política), só poderemos atingir qualquer tipo de equilíbrio concentrado-nos, precisamente, no "espírito" não na "letra". Como diz o Evangelho a letra mata, mas o espírito vivifica.

Falava ontem com uma pessoa quanto à liberdade de expressão religiosa de um Rei, ou de um Chefe de Estado. Dizia esta pessoa que um Chefe de Estado não deve assumir a sua fé em público, deixando qualquer prática desta ordem para a sua vida privada. Caso praticasse a sua fé em público, digamos o catolicismo, então deveria ir um igual número de vezes a uma mesquita e a uma sinagoga para poder representar todo o seu Povo. Ora, não podemos deixar que o mecanicismo democrático impere sem regras na nossa vida. O sentido literal, ou o "letra", da Democracia é ser o governo do Povo, para o Povo. Todos sabemos que isso é uma utopia e está longe de ser aquilo que acontece nos estados modernos de hoje, nomeadamente em Portugal. Portanto, se a "letra" não é possível de ser posta em prática, temos de nos virar para o "espírito" que é, simplesmente, o da defesa dos direitos individuais de cada um, da ordem pública, da justiça social, etc...

Portanto, o argumento de que todos somos iguais só é verídico se for dito "todos somos iguais perante a Lei" e só assim fará sentido. Se extrapolarmos este sentido de igualdade para a total aniquiliação de toda a hierarquia, factor natural que existe em todo o tipo de sociedades, então ficaremos sós num estado anárquico e de confusão generalisada. Não podemos exigir que todos sejam iguais nos seus hábitos, na sua actividade, etc... As sociedades só evoluirão através da diversidade das iniciativas pessoais ou colectivas, que lhe trazem riqueza e lhe conferem carácter.

Resumindo, e no exemplo dado da Religião na Chefia de Estado, temos de exigir ao Chefe de Estado um igual tratamento face às várias expressões religiosas, mas não lhe podemos pedir que professe em todas para a todas representar. Bem como não lhe podemos pedir que seja negro para poder representar os portugueses de raça negra. E decerto não lhe podemos pedir que não professe em nenhuma religião para poder ser imparcial, visto que não se trata de nenhuma escolha lógica ou política, mas sim de algo que é inerente a todo o Ser Humano, que é a sua relação com o Sagrado, algo de vocacional.

Deixemo-nos portanto de considerações pseudo-egalitárias ou do politicamente correcto que tentam fazer do colectivo dos cidadãos uma massa cinzenta e disforme, uma soma linear de todas as diferenças. Dediquemo-nos sim, à aceitação do oposto ou do desconhecido e enfrentemos o futuro com um projecto na mão. Se todos o fizermos, decerto contribuiremos para uma sociedade mais rica e mais diversa e, sobretudo, mais portuguesa.

terça-feira, janeiro 02, 2007

A Arte de Ser Português, por Teixeira de Pascoaes


[Sobre a paisagem portuguesa:]«É uma paisagem de contrastes que se abraçam e beijam com amor.»
(...)
«Os seres não realizam em si o seu destino, mas naqueles a que sacrificam a sua existência.»
(...)
«Imediatamente aos seus deveres de Família, o bom português cumprirá os seus deveres de munícipe.»
(...)
«A Poesia converte a matéria em espírito»
(...)
«Portugal foi livre, enquanto foi português nas suas obras»
(...)
«A escravidão é feita de descanso e de tristeza.»

Teixeira de Pascoaes, in Arte de Ser Português, Assírio e Alvim - 1998.

Perguntas difíceis...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A República foi uma pausa.


A visão simplista e partidarista da História nunca foi premiada com grandes sucessos, sendo constante as mudanças de opinião e distorção de factos pelos interessados em publicitar e engrandecer o seu ponto de vista específico. Deste modo, olham alguns para o passado procurando uma evolução darwiniana constante, da eliminação dos mais fracos pelos mais fortes, esquecendo-se que o processo histórico se faz de ciclos e pausas e não de um pseudo-progresso perpétuo. A República foi uma pausa.

Numa visão linear poder-se-á dizer que a Monarquia foi derrubada pois já não servia os interesses do país. Muito provavelmente estarão certos os que utilizarem este argumento (não que o sistema que a substitui tenha feito melhor), mas foi provavelmente necessário um período de pousio fundamental para uma Renascença Monárquica, para o fortalecimento da Ideia Real enquanto conceito e para que, sem nenhum sentido dramático, houvesse uma certa "purificação" daquilo que deve ser a Monarquia Portuguesa, pois os alicerces que fundamentavam o regime que caiu em 1910 necessitavam de ser substituídos, de modo a sustentar Portugal no momento em que o Povo escolher devolver a Chefia de Estado ao Português mais bem preparado para tal.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Henrique Barrilaro Ruas: "Entre o conservador e o tradicionalista, a distância é invencível."

"Entre o conservador e o tradicionalista, a distância é invencível.

O conservador aceita o facto consumado, não apenas como facto, o que seria científico, mas como bem indiscutível. Pode o seu sentimento revoltar-se contra o significado humano do facto, mas, logo que este se conclui e estabiliza, o conservador sente-se incapaz de se lhe opor.

Por isso a sua atitude perante os factos novos é caracterizada, na melhor das hipóteses, por uma miúda e mesquinha luta de posições, porque lhe importa sobremaneira impedir a ocupação pelo adversário do mais pequeno recanto da vida social.

Ao contrário, o tradicionalista é capaz de valorizar até os factos isoladamente contrários aos princípios fundamentais da doutrina que professa. Senhor de uma visão rasgada e profunda da História, recusa-se a disputar palmo a palmo o terreno pretendido pelo inimigo real ou aparente. Sabe que a história humana não é semelhante a um desdobrar tranquilo e lógico dos teoremas e dos corolários, mas inclui e arrasta muitos elementos aparentemente inúteis ou prejudiciais, e, no entanto, susceptíveis de receber do bem e da verdade um sentido e uma salvação.

Nesta perspectiva, o tradicionalista não apenas aceita cientificamente os factos de observação imediata, como lhes dá um significado superior, pois procura extrair deles um bem que eles não permitiam."

Henrique Barrilaro Ruas, in "A liberdade e o Rei", Lisboa, 1971

sábado, dezembro 09, 2006

Ideal Português

(foto: Paul Teixeira - www.pbase.com/paul_teixeira/)

«(...) o povo português acha que (...) a criança deve ser proclamada imperador do mundo, que é ela que tem de mandar no mundo e que é na medida em que manda que o mundo pode realmente melhorar. Isto é, o povo português, que não sabia nada de Platão, a quem provavelmente atrapalharia muito uma coisa puramente platónica, estava de acordo com ele quando dizia que a criatura que vem do céu das ideias é a criatura perfeita e é na terra que ela ganha aquele barro, aquela lama que cobre o esplendor do céu das ideias e faz cada de um de nós pobres seres em que só num ou noutro aparece um relâmpago deste céu das ideias.»

Agostinho da Silva, in Vida Conversável - Assírio & Alvim, 1998.

Para cada Povo, um Sistema

Ao verificarmos que cada Povo tem a sua personalidade colectiva e a sua forma de estar e viver, vemos que é tanto inaceitável como inaplicável a solução que hoje muitos colocam: a democracia republicana liberal e baseada no capital, uniformizada, para o maior número de países possível. Tal afirmação é a total anulação das características que fazem cada Povo ele próprio e que garantem a tão desvalorizada identidade nacional que só traz riqueza ao Mundo. A manta de retalhos que são as culturas individuais é aquilo que dá interesse à civilização Humana e conceber um mundo semelhante a um pano castanho da amálgama disforme de tudo e todos é algo que não dignifica a nossa espécie.

Mantendo o espírito de Dante presente, já ele escrevia no séc. XIV:
«De uma maneira deverão ser conduzidos os citas que vivem fora do sétimo clima, sofrem de uma grande desigualdade entre os dias e as noites, e são flagelados por um frio quase insuportável; e de outra os garamantes que, habitando abaixo do equinócio, beneficiam de dias e noites sempre iguais, e não podem cobrir-se de indumentária por causa do calor excessivo.»
É claro que nem só o clima influencia as culturas nem é ele a sua medida. Porém, é pertinente pensar que os grandes impérios, ou seja, quando a Pátria e o Estado funcionaram através do mesmo fio condutor, existiram num contexto de clara adaptação do sistema de Estado à população nele inserida.

Para Portugal, especificamente, convirá um sistema Monárquico, sim, mas uma Monarquia Portuguesa e não um qualquer franchise de algo encontrado noutro país. Com isto quero dizer que Portugal deverá ser ele próprio: Atlântico, decerto; Europeu, com certeza; mas Português, sem complexos. Deste modo haverá na Monarquia a Instaurar elementos comuns a outras Monarquias europeias, mas deverá haver no modo de agir do Rei e da sua relação com os governos e com o Povo algo que nos é comum a todos, pois de outro modo corre-se o risco de criar um sistema em parte artificial, que não se reflecte na sua totalidade naquilo que é a Realidade Portuguesa.

Contra o culto da personalidade.

Nesta sociedade de produtos e marcas, onde pessoas e países são vistos como bens transaccionáveis, entidades passíveis de valorizar e perder valor dependendo dos ventos mediáticos, há que estabelecer uma forte objecção a estes conceitos, naquilo que diz respeito aos valores Monárquicos e Tradicionais e à sua divulgação.

Não podemos criar argumentos onde pese o valor pessoal de A, B ou C. Quando se falar publicamente do Ideal Real é certo que se mencione o trabalho desinteressado que, por exemplo, D. Duarte fez e faz pelo País, mas não pode este aspecto ser o fulcro do debate. Tratamos de valores, princípios e convicções e não de personalidades. Concentremos as nossas energias em explicar claramente as vantagens da Monarquia, pois essas são inabaláveis e intemporais - é nestes valores, sem prazo de validade, que temos de apoiar os nossos argumentos.

Hoje temos a sorte de ter um Herdeiro ao Trono que é totalmente ciente da sua posição e a honra. Daqui a cem ou duzentos anos poderemos não ter um Monarca de tal adaptabilidade aos princípios Reais e para isso temos de estabelecer um sistema que, ao contrário da cultura de Personalidade hoje vigente com a República, se auto-sustente em alturas menos propícias.

domingo, dezembro 03, 2006

De Monarchia, Dante Alighieri


"Atinge o género humano a perfeição quando desfruta de uma grande liberdade. E é esta asserção evidente se se compreende o princípio da liberdade. (...) Os regimes sãos visam à liberdade, isto é, a que os homens existam para si mesmos. Não são, com efeito, os cidadãos que existem para os cônsules ou o povo para o rei, mas antes os cônsules para os cidadãos, e o rei para o povo;"

in Monarquia (De Monarchia), Dante Alighieri, pp30-32. Guimarães Editores, Lisboa, 1999.