sábado, junho 02, 2007

Aos Hiperdemocratas: A Monarquia faz bem à Democracia!

Sobre a questão que levantam alguns "hiperdemocratas" (sempre imagino que serão aqueles que provavelmente só escolhem um lugar de estacionamento específico se for sujeito a votação e se ganhar por maioria qualificada):

Dizem estes que «um chefe de estado deve ser eleito, senão é algo anti-democrático».

A resposta é simples e segue uma lógica, também rica em simplicidade:

1º O primeiro objectivo de qualquer sistema político é servir o País.
2º A Democracia, na sua concepção, serve, neste momento histórico*, os melhores interesses de Portugal, sem dúvida.

Porém, se houver um consenso nacional, tome ele a forma que tomar, que uma Monarquia hereditária é melhor para o País, não há razão para invocar que a ausência de sufrágio para o Chefe de Estado é algo anti-democrático, pois tal não é válido, visto que o que está em causa é servir ou não o interesse do País. Da mesma maneira, se o objectivo da democracia é servir o país, também esta é delimitada pela extensão até à qual deixa de o fazer.

Ou seja, neste caso específico, serve melhor o país uma monarquia, regime onde não se escolhe o Chefe de Estado do que um regime onde há uma "oferta" de 4 ou 5 candidatos para o lugar. A lógica do mercado não se aplica nesta decisão. Haver escolha, não implica haver qualidade, pois um Rei, preparado desde sempre para o papel que vai desempenhar e com o único intuito de Ser Português e de servir o país, é infinitamente mais qualificado do que qualquer outra pessoa. Como Portugueses devemos exigir qualidade para a nossa Chefia de Estado e levar este nosso posicionamento até ao fim.

Se um Rei serve melhor os nossos interesses, então façamos essa opção, apoiando a transição para a Monarquia.

Aliás, lembro aos "hiperdemocratas", que tradicionalmente cabe às Cortes/Parlamento a aprovação do Rei e também a elas cabe encontrar uma alternativa, caso o Rei não esteja à altura da função que desempenha.

Está mais que demonstrado que a Democracia e a Monarquia podem, não só coexistir, mas também interaperfeiçoar-se. Às vezes é até ridículo estar a ter esta conversa quando 6 dos 10 países com maior qualidade de vida em todo o Mundo são Monarquias.+

Aliás, é no mínimo descuidado sugerir que países com a tradição democrática da Espanha, Noruega, Suécia ou Reino Unido, tolerariam uma solução dita "anti-democrática" para a sua Chefia de Estado se tal não servisse os seus melhores interesses.

* - Digo «neste momento histórico», visto que no passado, outros sistemas houve que, naquela época e mentalidade serviam melhor os interesses de Portugal. Refiro-me particularmente ao regime que vigorava antes do Absolutismo Régio.

+ - De acordo com o Quality-of-Life Index (2005), publicado pela revista britânica The Economist, que aliás, segue uma orientação editorial republicana.

quinta-feira, maio 24, 2007

A Recriação da Natureza: Entrevista com Ribeiro Telles



Foto: Portal do Jardim

À margem do Congresso "Jardins do Mundo" que se realizou no Funchal nos passados dias 9-12 de Maio de 2007, o Portal do Jardim foi conversar com o Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Uma personalidade incontornável do mundo do Jardim, dedicou toda uma vida à defesa dos valores da Terra e do Ambiente. Recebeu, no âmbito também deste congresso, uma merecida homenagem que partilhou com o filósofo Eduardo Lourenço (leia mais aqui).

Portal do Jardim (PdJ) - Qual é a sua primeira memória de um jardim?

Arq. Ribeiro Telles (RT)- A Av. da Liberdade, onde nasci.

PdJ - Enquanto jardim?

RT - Enquanto avenida... A avenida é um jardim.

PdJ - E que importância tinha para si?

RT - Era um sítio onde se passeava, onde se brincava. De certo modo um sítio aprazível com árvores.

PdJ - Sempre gostou do jardim num contexto urbano, correcto?

RT - O jardim é qualquer coisa que é independente do contexto urbano e é independente de outro contexto qualquer.

PdJ - O Arquitecto costuma dizer que «tudo é um jardim»...

RT - Tudo caminha para tal. A humanização da terra, do território, caminha evidentemente para uma paisagem bela, para uma paisagem equilibrada, portanto é um macrojardim. O que não quer dizer que um macrojardim não contenha depois microjardins, na acepção mais perfeita do termo, que é um microcosmos, uma paisagem ideal.

PdJ - Quando é que decidiu ser Arquitecto Paisagista?

RT - Encontros. Até como era uma matéria que não estava lançada no país, fui caminhando no sentido da agronomia, primeiro – e paralelamente tinha condições para arquitectura, portanto tinha dois caminhos a seguir. Segui o da agronomia, mas na agronomia encontrei os primeiros passos da arquitectura paisagista, num curso livre de arquitectura paisagista e foi assim, uma obra do acaso.

PdJ - Estabelece alguma ligação entre a sua vivência na infância da Avenidade da Liberdade e a sua escolha em enveredar pela sua área profissional?

RT - Não, não. [risos] Acho que não vale a pena tentar encontrar ligações dessa ordem.

PdJ - Não estabelece essa ligação entre a infância...

RT - Não. Eu demarquei a Avenida da Liberdade por que dela também fazem parte os quintais que existiam. Portanto, tanto bricávamos na Avenida da Liberdade como brincávamos nos quintais.

PdJ - Que resultado é que pensa que terá este desaparecimento progressivo dos quintais na vida das famílias?

RT - Há um regresso negativo. Como sabe, os quintais estão todos a ser transformados em garagens, em pavimentos impermeáveis e estão a desaparecer. Aí há um aspecto muito negativo para a cidade, para a cidade como habitat, como conforto e até como beleza. É trágico o que está a acontecer - a destruição sistemática do que era o verde integrado na própria cidade.

PdJ - Acha que a vivência dos jardins pode trazer felicidade?

RT - Tudo contribui. O que interessa é saber escolher e saber viver.

PdJ - Como é que vê a tendência dos municípios continuadamente cederem ao lobby do betão, ou da celulose?

RT - É uma falsa ideia de progresso, que de certo modo se criou da ideia de que o progresso era o volume construído. O choque da Revolução Industrial levou a que isso parecesse ser o progresso, quando isto é claro que não é progresso, é até retrocesso. Portanto estamos nessa época de transformações.

PdJ - Pensa que será um problema de falta de formação cívica por parte dos decisores? Acha que se trata de pressões externas?

RT - É as duas coisas juntas. Muitos estão convencidos que o futuro resulta de um artificialidade total da vida, de superficialidade e de uma maneira de viver que vem da facilidade dos fluxos energéticos para a vida humana, que está a acabar. Portanto temos que não andar para trás, temos é que recriar as condições da vida.

PdJ - Acha que esse é o caminho para inverter a situação...

RT - É recriar, não de ir para trás. Enfim, uma recriação é sempre uma criação que tem um sentido determinado e umas bases determinadas. Evidentemente que portanto é um reencontro com a Natureza, mas no sentido humanizado da Natureza, em que se inclui também, mas não só, os problemas da protecção do espaço, da produção do espaço. Nós vivemos de facto num sistema ecológico forte, que vive também de transformar esses espaços de protecção em espaços de recreio.

PdJ - Há hoje uma moda emergente, especialmente em França, de criar jardins verticais. Como vê esta opção arquitectónica?

RT - É mais um aspecto decorativo, que não resolve o assunto. É o mesmo que pegar numa fachada e revesti-la de azulejos, onde antes nada existia. Há um elemento fundamental a recriar nesta paisagem global do futuro, porque nós caminhamos para uma paisagem onde os dois sistemas, o natural e o artificial do abrigo, se vão conjugar e harmonizar. Nos diferentes espaços, em que muitas vezes é o contínuo o elemento construído e o residual é, digamos, o elemento verde, tem que haver uma interligação entre essas situações e as situações em que se dá o contrário, em que o elemento contínuo é o sistema natural e o elemento descontínuo é construído. É aí que está o grande jogo do planeamento moderno.

PdJ - Há hoje nitidamente um decréscimo no contacto entre jovens e a Natureza, as zonas rurais. Numa conferência recente, o Arq. Ribeiro Telles sugeriu que deveria haver subsídios para os jovens voltarem ao campo e às aldeias. Acha que é uma proposta viável?

RT - Subsídios não, mas sim capitalizar os jovens – que é diferente do subsídio.

PdJ - Um forma de conduzir os jovens...

RT - Não é para conduzir, é para fazer viver as aldeias, em que os jovens são fundamentais. A possibilidade de fazer viver as aldeias, não é com o turismo – que vem a seguir, é recuperando a agricultura de base local e de base regional. É essa de facto a que hoje está a ser muito necessária para o país e não a de competição a nível internacional. A recuperação da agricultura para espaço, para protecção. A agricultura não são fábricas, para apertar parafusos... A agricultura é um mundo que trabalha, que tem actividade no solo, solo esse que é um elemento da crosta terrestre de transição da parte geológica para a atmosfera, fundamental para toda a vida humana, e para toda a vida. Por isto é que houve a necessidade de criar reservas de protecção ao solo, que foram tão mal entendidas pelos técnicos, pelos municípios, pensando que eram obstáculos ao desenvolvimento quando eram de facto a garantia do desenvolvimento.

PdJ - É optimista quanto ao futuro, naquilo que diz respeito aos jardins e o modo como são vividos? Esses microcosmos...

RT - Nós partimos de uma natureza primordial, que é chamada de primeira natureza e o Homem transformou essa primeira natureza numa natureza mais bela, biologicamente mais activa, mais biodiversificada até, com a criação das orlas e portanto o problema é recriar esse sistema, porque senão não há vida. Portanto, quando se ouve estas campanhas constantes em nome do desenvolvimento até da liberdade das pessoas poderem fazer o que quiserem em qualquer lado... até técnicos juristas e economistas caíram nessa «arara» e arranjaram estes «trinta e um» tremendos que são os fogos florestais, a expansão urbana indiscriminada, que agora se vêem aflitos para resolver. [A solução] é a recriação, é novamente a intervenção para situações de modernidade de uma paisagem global que inclui os sistemas naturais, florestais e cultura e os sistemas de abrigo artificiais onde estão as construções.

segunda-feira, maio 21, 2007

Definição de "Political Correctness"

"Political Correctness is a doctrine fostered by a delusional, illogical liberal minority, and rapidly promoted by an unscrupulous mainstream media, which holds forth the proposition that it is entirely possible to pick up a turd by the clean end."

Tradução livre: "O Politicamente Correcto" é uma doutrina alimentada por uma minoria liberal, ilógica e desligada da realidade, rapidamente promovida por meios de comunicação social sem escrúpulos, que propõe que é completamente possível pegar num «cagalhoto» sem sujar as mãos.

sexta-feira, maio 18, 2007

Dos Túmulos e sua Abertura

Posso estar errado, mas se bem me lembro, quem tinha a obsessão de abrir túmulos de reis seus antepassados era D. Sebastião... Não me parece boa prática, seja porque razão for. A causa da investigação científica não pode ser cega à importância, quase metafísica, que o colectivo atribui aos túmulos dos reis, ainda mais, do rei fundador.

Poder-se-á dizer que se abrem túmulos egípcios sem quaisquer menções de oposição. Correcto, mas é uma cultura morta, já sem representantes. Porém, a cultura portuguesa ainda vive. Vive de vivências, de mitos, de História e estes não podem ser mexidos e remexidos indiscriminadamente.

Obrigado, Sra. Ministra, por deixar descansar Afonso Henriques.

quinta-feira, maio 03, 2007

Sobre o «Desenvolvimento»


Foto: Monsaraz, Alto Alentejo. Um lugar raríssimo onde ainda se respira o ar da Idade Média, é um dos poucos locais que tem vindo a escapar a um Turismo extremo. Porém, os empreendimentos ligados ao Alqueva ameaçam tornar esta vila em algo que não é: uma loja. Esperemos que os autarcas e as gentes da terra tenham o senso de manter a sua vila para que não se perca mais um monumento vivo a favor do comércio e do Turismo em massa.

O conceito de «desenvolvimento» é hoje algo de que se usa e abusa para corresponder a interesses particulares, raramente de acordo com o interesse nacional.

Aquilo a que chamam o desenvolvimento do turismo, criou em muitos casos, situações onde os próprios habitantes se sentem excluídos da sua terra natal, dando lugar a um mar incessante de turistas que alimentam as lojas de souvenirs. Isto será decerto «desenvolvimento», mas estritamente económico e para poucas empresas que dominarão o mercado nessa zona. A maioria dos habitantes sentir-se-á excluído da sua própria rua, onde os preços são inflacionados «para inglês comprar». Não há nada de errado com o Turismo em si, note-se, mas este deve ser proporcional à área em causa e sempre de acordo com o interesse da população local, que aí cresceu e viveu e cuja vivência do sítio tem de ser respeitada.

O mesmo «desenvolvimento» económico que fomenta o comércio, acarreta consigo as desigualdades sociais que dão origem às ondas de crime nos países ditos civilizados, às quais Portugal ainda vai escapando, dado o seu «atraso».

O Verdadeiro Desenvolvimento é aquele que cada país escolher fazer, para si próprio - é um opção. Trará animosidades, frustrações, etc... mas a essência de Portugal, como se vê pelo estado do País, não é compatível com o capitalismo cego que pauta os mercados ocidentais, nem é compatível com o modo de viver dos novos escravos do emprego, que alimenta as economias ditas «avançadas» e desenvolvidas; a essência de Portugal também não tolera as obrigatórias disparidades que caracterizam os países que querem fazer de si mesmos uma massa disforme de betão armado.

Poderão dizer que esta é a apologia do atraso. Não é disso que se trata - é sim fazer uma opção de vida conjunta. Se quisermos ser como os outros, perderemos o «jogo», porque não somos os outros, mas se assumirmos as nossas diferenças e seguirmos o nosso caminho, em cooperação e não em subserviência dos estilos de vida dos outros países talvez possamos seguir um caminho que não seja uma traição tão grave daquilo que Portugal e os Portugueses realmente são.

domingo, abril 08, 2007

terça-feira, março 27, 2007

Lançamento: Agostinho da Silva - Pensador do Mundo a Haver


3 Abril - 3ªf - 18h
Fundação Calouste Gulbenkian - Auditório III

A Editora Zéfiro e a Associação Agostinho da Silva têm a honra de convidar V. Exa. para o lançamento das Actas do Congresso Internacional do Centenário de Agostinho da Silva: Agostinho da Silva, Pensador do Mundo a Haver. A obra será apresentada pelo Professor Doutor Manuel Ferreira Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora. O evento realizar-se-á no dia 3 de Abril, às 18 horas, no Auditório III da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

«O presente volume de Actas corresponde ao momento cientificamente mais significativo das Comemorações e de toda a recepção da obra agostiniana, o Congresso Internacional que reuniu três das principais universidades portuguesas, acolheu investigadores de diferentes nacionalidades, formações e gerações e constituiu a homenagem da academia portuguesa a um dos seus mais notáveis e ostracizados filhos. Cremos que a presente obra é já um marco no necessário e desejável estudo crítico e científico do pensamento de Agostinho da Silva, que ainda permanece refém de muitos preconceitos, a favor e contra, apenas devidos, quando assim acontece, à ausência de uma leitura global, atenta e reflectida da sua obra, que atenda aos diferentes períodos da sua génese e evolução e procure os fundamentos e articulações que estruturam as suas proposições mais visíveis.»

Paulo Borges
in Prefácio

quinta-feira, março 22, 2007

Desocracia


O que uma letra apenas faz.

Hoje, em Portugal, apressamo-nos rapidamente para uma Desocracia, ou seja, o governo de um Sócrates.

Com a concentração da influência sobre as agências de informação, com a atitude autocrática, com o agora comum "quero posso e mando" do primeiro-ministro (& companhia), Portugal, enquanto nação cultural, não enriquece nem enriquecerá qualitativamente.

O paradoxo da nossa democracia (ou tentativa de) está hoje visível: o que fazer quando um partido (e no caso actual, um partido centrado numa cultura de personalidade do seu líder) tem maioria absoluta e não enfrenta nenhum tipo de oposição eficaz (nem interna, nem externa, nem do chefe de estado, nem da sociedade em geral). Por onde anda a democracia propriamente dita?

Escrevo sobre o actual governo como poderia escrever sobre qualquer um, de qualquer partido, na mesma situação. É gravíssimo que não haja nenhum representante independente e supra-partidário que coloque os governos no seu devido lugar: um grupo de pessoas que são pagas para administrar o Estado e que têm de prestar contas aos cidadãos. Este prestar de contas não pode ser feito de 4 em 4 anos por qualquer expressão de sentimento ou estado de alma, deve ser antes uma atitude permanente de respeito por parte dos governos por aqueles que os elegeram. Um governo não lidera uma Nação, é apenas o motor que põe em movimento a máquina que é o Estado. Seria bom que tanto os governantes como os governados tomassem consciência disto - para os primeiros terem mais humildade e para os segundos não estarem à espera que os primeiros sejam a resposta a todos os problemas.

Esta humildade que espero de um governo, aplicada ao chefe de estado seria, aqui sim, nefasta. Li na Visão da semana passada que uma senhora que sempre votou em Cavaco está hoje desiludida, pois a humildade que apreciava se confunde hoje, na sua opinião, com cobardia. «Estamos perdidos...», acrescenta.

Não estamos perdidos, mas também não estamos achados. O que decerto não podemos estar é reféns de uma situação onde o chefe de estado está ligado aos partidos que deveria "fiscalizar" e, resultado da sua chamada humildade, não intervém como deveria.

A Democracia assim não existe. Assim vamos andando... hoje em desocracia, amanhã quem saberá? A matriz dos princípios da organização do Estado deveria ser uma constante e não algo que dependa de personalidades mais ou menos democráticas.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Filme: O Grande Silêncio


"O Grande Silêncio é o primeiro filme sobre a vida interior da Grande Chartreuse, casa-mãe da Ordem dos Cartuxos, uma meditação silenciosa sobre a vida monástica. Dezassete anos depois de ter pedido autorização para filmar no mosteiro, é dada autorização para entrar ao realizador, que filmará a vida interior dos monges cartuxos. Sem música à excepção dos cânticos do mosteiro, sem entrevistas, nem comentários, ou artifícios. Evocam-se unicamente a passagem do tempo, das estações, os elementos repetidos incessantemente durante o dia ou as orações. Um filme sobre a presença do absoluto e a vida de homens que dedicam a sua existência a Deus. O filme ganhou os Prémios de Melhor Documentário no Festival de Sundance e nos Prémios Europeus do Cinema." (in Cinecartaz - PÚBLICO).

Os monges cartuxos, que ainda podem ser encontrados em Portugal, na Cartuxa de Évora, formam a ordem fundada por S. Bruno em 1084. São eremitas que vivem em comunidade, em silêncio e contemplação.

A Cartuxa de Évora

Aquele que persevera firme na cela e por ela é formado, tende a que todo o conjunto de sua vida se unifique e converta numa constante oração. Mas não poderá entrar neste repouso sem ter-se exercitado no esforço de duro combate, já pelas austeridades nas que se mantém por familiaridade com a cruz, já pelas visitas do Senhor mediante as quais o prova como ouro no crisol. Assim, purificado pela paciência, consolado e robustecido pela assídua meditação das Escrituras, e introduzido no profundo de seu coração pela graça do Espírito, poderá já não só servir a Deus, senão também unir-se a Ele. (Estatutos da Ordem dos Cartuxos 3, 2)

Mais info: Os Cartuxos

segunda-feira, fevereiro 12, 2007


THE ANGEL OF HISTORY de Ernst Fuchs
(Estudo para a paróquia de Sto. Egídio, Igreja Paroquial de Klagenfurt), 1992
Têmpera de ovo, técnica mista sobre tela, 190x330cm.

domingo, fevereiro 11, 2007

I have been branded as a traditionalist, as if tradition was some kind of disease that had to be sprayed at airports. Príncipe Carlos de Inglaterra.

[Chamaram-me tradicionalista, como se "tradição" fosse algum tipo de doença que precisa de descontaminação em aeroportos.]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Blogs are today's revolutionary pamphlets, websites are the new dailies and list-servers are today's broadsides

Audrey Cronin da Universidade de Oxford. (in The Economist, 16 Nov 2006)

A Monarquia imprime verticalidade à República


A Monarquia imprime verticalidade à República, ou seja, dá-lhe um sentido ascendente, culminando na figura Real - que é exemplo de isenção e de excelência.

Ora se a Monarquia é um elemento de verticalidade, então é sem dúvida algo transversal, podendo cada grupo, seja ele político, económico ou social depreender quais as vantagens para si próprio de um tal sistema existir em Portugal. Todos os grupos, excepto claro os republicanos acérrimos, que não quiserem aceitar este sistema, mais por teimosia ou comodismo do que por falta de compreensão das suas vantagens.

Quanto a mudanças de fundo no funcionamento e organização do País: eu costumava ser da opinião de que apenas propondo uma mudança drástica é que o povo reconheceria a Monarquia como alternativa merecedora. No entanto, parecece-me hoje que as mudanças que são necessárias fazer não podem ser nem instantâneas nem apressadas. Tenho a certeza porém de que tais alterações não são viáveis no regime actual e que a Monarquia se apresenta como único ambiente onde tais mudanças podem ter lugar.

Concluíndo, a República decai a olhos vistos; a Monarquia não resolve coisa alguma senão o facto de inverter a tendência - sendo assim um factor, indirecto, de regeneração de Portugal. Neste momento da vida nacional, esta inversão de tendência é, a meu ver, aquilo por que temos de lutar com todo o empenho.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Filme Recomendado: The Queen


(clique para ver apresentação)

É ainda possível ver nalguns cinemas este filme onde Helen Mirren encarna magistralmente a personagem de Isabel II. A realização é de Stephen Frears.

A acção passa-se após a morte da Princesa Diana e mostra como a Família Real Inglesa lidou, tanto com o choque de uma tragédia familiar, mas também com o aspecto mediático a ele afecto.

Infelizmente, devido ao media circus à volta da Monarquia no Reino Unido, a Rainha acabou por se ver quase refém de um primeiro-ministro recém-chegado e muito persuasivo e, indirectamente, de um spin doctor, interessado apenas nas sondagens e naquilo que é "popular" e "parece bem". Porém soube manter a dignidade e esse, na minha opinião, é o aspecto mais construtivo do filme.

As semelhanças dos actores com os seus personagens é assombrosa. Vale a pena ver!

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alter..nativa?, por MCH


A Coudelaria de Altér vai ser substituída por uma nova Fundação controlada pelo Estado e pelos Privados a que parece querer chamar Fundação de Altér e que se constitui por fusão desta e da Companhia das Lezírias.
Do destino que se dará aos cerca de 80 empregados da Coudelaria e se as instalações continuarão a A Coudelaria foi fundada em 1748, pertenceu à Casa de Bragança, e depois foi propriedade da Coroa Portuguesa. Com o derrube da Monarquia passou para a tutela do Estado e tem dado bom nome a Portugal.





Comentário:

Leonardo de Melo Gonçalves said...

A confirmar-se esta decisão, trata-se de mais um exemplo de como Portugal, que nem avião desviado, segue por uma rota que não é a sua.

O respeito pelo património histórico, por aquilo que constitui a face visível da identidade Portuguesa tem de ser mantido, custe o que custar e não podemos entrar na lógica mercantilista de julgar rentável ou não algo que tem em si valor simbólico.

Lembro que os governos Franceses e Italianos procederam recentemente à avaliação do património imobiliário do Estado e, aos monumentos de alto valor histórico foi-lhes atribuído a soma simbólica de 1 euro por cada - que nunca, jamais e em tempo algum serão vendidos por qualquer razão que seja.

Oxalá o governo de Portugal tivesse a decência de fazer o mesmo.

15 Janeiro, 2007 23:11

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Do Fundamentalismo Democrático

Nesta época de extremos e fundamentalismos, onde a letra se sobrepõe ao espírito em todos os sectores da vida (sejam eles a Religião, a Economia, a Política), só poderemos atingir qualquer tipo de equilíbrio concentrado-nos, precisamente, no "espírito" não na "letra". Como diz o Evangelho a letra mata, mas o espírito vivifica.

Falava ontem com uma pessoa quanto à liberdade de expressão religiosa de um Rei, ou de um Chefe de Estado. Dizia esta pessoa que um Chefe de Estado não deve assumir a sua fé em público, deixando qualquer prática desta ordem para a sua vida privada. Caso praticasse a sua fé em público, digamos o catolicismo, então deveria ir um igual número de vezes a uma mesquita e a uma sinagoga para poder representar todo o seu Povo. Ora, não podemos deixar que o mecanicismo democrático impere sem regras na nossa vida. O sentido literal, ou o "letra", da Democracia é ser o governo do Povo, para o Povo. Todos sabemos que isso é uma utopia e está longe de ser aquilo que acontece nos estados modernos de hoje, nomeadamente em Portugal. Portanto, se a "letra" não é possível de ser posta em prática, temos de nos virar para o "espírito" que é, simplesmente, o da defesa dos direitos individuais de cada um, da ordem pública, da justiça social, etc...

Portanto, o argumento de que todos somos iguais só é verídico se for dito "todos somos iguais perante a Lei" e só assim fará sentido. Se extrapolarmos este sentido de igualdade para a total aniquiliação de toda a hierarquia, factor natural que existe em todo o tipo de sociedades, então ficaremos sós num estado anárquico e de confusão generalisada. Não podemos exigir que todos sejam iguais nos seus hábitos, na sua actividade, etc... As sociedades só evoluirão através da diversidade das iniciativas pessoais ou colectivas, que lhe trazem riqueza e lhe conferem carácter.

Resumindo, e no exemplo dado da Religião na Chefia de Estado, temos de exigir ao Chefe de Estado um igual tratamento face às várias expressões religiosas, mas não lhe podemos pedir que professe em todas para a todas representar. Bem como não lhe podemos pedir que seja negro para poder representar os portugueses de raça negra. E decerto não lhe podemos pedir que não professe em nenhuma religião para poder ser imparcial, visto que não se trata de nenhuma escolha lógica ou política, mas sim de algo que é inerente a todo o Ser Humano, que é a sua relação com o Sagrado, algo de vocacional.

Deixemo-nos portanto de considerações pseudo-egalitárias ou do politicamente correcto que tentam fazer do colectivo dos cidadãos uma massa cinzenta e disforme, uma soma linear de todas as diferenças. Dediquemo-nos sim, à aceitação do oposto ou do desconhecido e enfrentemos o futuro com um projecto na mão. Se todos o fizermos, decerto contribuiremos para uma sociedade mais rica e mais diversa e, sobretudo, mais portuguesa.

terça-feira, janeiro 02, 2007

A Arte de Ser Português, por Teixeira de Pascoaes


[Sobre a paisagem portuguesa:]«É uma paisagem de contrastes que se abraçam e beijam com amor.»
(...)
«Os seres não realizam em si o seu destino, mas naqueles a que sacrificam a sua existência.»
(...)
«Imediatamente aos seus deveres de Família, o bom português cumprirá os seus deveres de munícipe.»
(...)
«A Poesia converte a matéria em espírito»
(...)
«Portugal foi livre, enquanto foi português nas suas obras»
(...)
«A escravidão é feita de descanso e de tristeza.»

Teixeira de Pascoaes, in Arte de Ser Português, Assírio e Alvim - 1998.

Perguntas difíceis...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A República foi uma pausa.


A visão simplista e partidarista da História nunca foi premiada com grandes sucessos, sendo constante as mudanças de opinião e distorção de factos pelos interessados em publicitar e engrandecer o seu ponto de vista específico. Deste modo, olham alguns para o passado procurando uma evolução darwiniana constante, da eliminação dos mais fracos pelos mais fortes, esquecendo-se que o processo histórico se faz de ciclos e pausas e não de um pseudo-progresso perpétuo. A República foi uma pausa.

Numa visão linear poder-se-á dizer que a Monarquia foi derrubada pois já não servia os interesses do país. Muito provavelmente estarão certos os que utilizarem este argumento (não que o sistema que a substitui tenha feito melhor), mas foi provavelmente necessário um período de pousio fundamental para uma Renascença Monárquica, para o fortalecimento da Ideia Real enquanto conceito e para que, sem nenhum sentido dramático, houvesse uma certa "purificação" daquilo que deve ser a Monarquia Portuguesa, pois os alicerces que fundamentavam o regime que caiu em 1910 necessitavam de ser substituídos, de modo a sustentar Portugal no momento em que o Povo escolher devolver a Chefia de Estado ao Português mais bem preparado para tal.